MÃOS…
Elvira Drummond
A minha mão relembra a sua mão…
tão firme e atenta — plena fortaleza —
curando-me do mal e da aspereza,
que a infância não esconde o tom vilão.
Seguro a sua mão, na contramão…
e o tempo impõe senti-la sem firmeza,
buscando, mesmo débil, a inteireza
perdida nos farrapos de ilusão.
E ao vê-la, atrás de apalpo e de tateio,
seguir com passos trôpegos, nem creio
que a mesma mão me ateve o “cai não cai…”
Multipliquei, em volta da parede,
mil braços de metal, tamanha a sede,
de segurá-lo sempre, amado pai!

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