sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

TROVAS DE ELVIRA DRUMMOND

 



    

          TROVAS DE ELVIRA DRUMMOND

​​Se, a galope, passa a vida,
mantenha o sonho no trote;
firme as rédeas, na medida,
sonhos dispensam chicote!

No jardim, contemplo as flores
e, ao ver tamanha beleza,
vejo o milagre das cores
no pincel da natureza!

É mais pobre que o mendigo
o que tem a mesa farta,
mas lhe falta ter o amigo
com quem partilhe e reparta.

A mão que fez a mãe-terra
veste de verde o lugar;
vem a mão, de motosserra:
mata sem reflorestar…

Cada flor é um poema
que a mãe-terra, ao céu, escreve;
e o céu, sem fugir do tema,
responde com chuva leve…

Na esquina da fantasia,
onde o sonho acha a esperança,
ouço a antiga sinfonia
do meu tempo de criança!

Meu romance, na estação,
revivo nesta cidade…
do trem, acena a ilusão
e desembarca a saudade!



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