"O MENINO E O NATAL"
Pedro Rangel Gouveia
Caminhando sem rumo nem destino,
Em busca de horizonte tão distante,
Deparei-me com um esquálido menino,
De olhar tristonho e peito ofegante.
Pensei naquela hora. "Quanta mágoa,
Carrega este menino em sua vida?"
E senti os seus olhos rasos d'agua,
Nesta noite de ilusões perdida.
Era Natal! Noite de alegria,
Vitrina iluminada, cheia de beleza,
E o olhar do menino ali se consumia,
Mergulhado em íntima tristeza.
Procurei seguir o meu caminho,
Pensando ser um quadro irreal,
Como aquele menino triste e sozinho,
Eu também vou passar este Natal.
(JORNAL "O RADAR", PÁGINA 6, 10/12/92)

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