DOMINGO À TARDE
Matusalém Dias de Moura
Domingo. Esvai-se a tarde modorrenta
num silêncio que cai sobre a cidade,
adormecendo toda a velha idade,
já de barriga cheia e sonolenta.
Minha alma, então, se aquieta e se alimenta
da poesia que chega na saudade
discreta, mansa, isenta de ansiedade,
de um alguém que de mim jamais se ausenta.
Distante, um galo canta um canto triste,
no último quintal que ainda existe
nesta cidade minha, culta e bela.
O céu nublado prende-me a atenção
e eu fico a contemplá-lo em oração,
enquanto a noite vem pela janela.
(LIVRO "SONETOS DO PÔR DO SOL", PÁGINA 43)

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