SERÁ QUE A PAZ ANUNCIADA É MESMO PAZ?
Cinthia Leite
Conhecimento é poder e, por isso, ele não é distribuído de forma igual. Não é
coincidência que o acesso ao conhecimento, sobretudo ao conhecimento crítico,
sempre tenha sido limitado. Quem detém o poder econômico e político sabe muito
bem: quem estuda questiona, e quem questiona não obedece facilmente.
Pensar criticamente é conseguir compreender as estruturas, identificar
desigualdades e perceber que muitas injustiças não são falhas do sistema, mas
parte essencial do seu funcionamento.
E há algo ainda mais profundo nisso tudo. O sistema não é caótico, ele é
planejado. Planejado com distrações constantes, recompensas mínimas, migalhas
que mantêm as pessoas ocupadas demais para pensar, cansadas demais para
questionar. Enquanto milhões estão discutindo o BBB 26 quem sai, quem fica,
quem traiu quem, Donald Trump anuncia acordos de “paz”, líderes negociam poder,
territórios e interesses, e decisões que impactam o mundo inteiro.
A própria Bíblia alerta sobre isso: “Quando disserem: paz e segurança, então
lhes sobrevirá repentina destruição” (I Tessalonicenses 5:3). Um aviso sobre
acordos que “tranquilizam” enquanto ocultam conflitos, desigualdades e
violências estruturais.
Ao mesmo tempo, cidades na Itália são atingidas por ondas de até 8 metros,
fenômenos extremos avançam, o colapso ambiental se intensifica e ainda assim o
debate público segue anestesiado, distraído.
Esse excesso de distração nos afasta de nós mesmos, e da consciência do tempo
histórico que estamos vivendo.
Por isso, o conhecimento emancipador assusta. Porque quando alguém começa a se
perguntar quem ganha e quem perde com essa organização social, quando percebe
que desigualdade não é acidente, o conhecimento deixa de ser neutro, ele se
torna político e também espiritual. Eu diria, um processo de despertar.
Questionar a universidade, atacar a ciência e defender a
precarização da educação nunca é inocente. É estratégia. São movimentos de quem
precisa manter tudo exatamente como está.
Quando falo sobre questionar a universidade, especialmente o plano de ensino
escolar, e a ciência, não falo de negá-las por completo. Falo de reconhecer que
existem falhas profundas nesses sistemas… A universidade, principalmente,
muitas vezes ensina de forma padronizada, quase robótica, formando pessoas para
se encaixarem no sistema, e não para pensarem fora dele.
Da mesma forma, a ciência também está inserida em estruturas de poder,
interesses econômicos e disputas políticas. Questionar é se perguntar a quem
serve, quem financia, quem lucra e quem fica de fora das decisões.
Nesse caminho, aprendo muito com meus líderes Pastor Ton, e Bispa Ângela. Sou
grata a Deus por pessoas que não me dizem o que pensar, mas me ensinam como
pensar. Que incentivam a sair da caixa, a amadurecer a fé, a consciência e o
discernimento em vez de anestesiá-los.
E nunca se esqueça: estudar é um privilégio. Um privilégio
histórico e social. Alguém antes de nós foi impedido de estudar para que hoje
esse direito ainda seja disputado. Honrar esse privilégio é também um ato de
resistência.
Talvez esse texto soe um pouco diferente do que costumo escrever e compartilhar
por aqui no “Substack”. Ele nasce mais como um pensamento. Eu gosto de
conversar, especialmente sobre assuntos relevantes, mas não entro jamais em
debates políticos atacando o outro. O respeito vem sempre antes de qualquer
argumento.
Apesar disso, passo a maior parte do tempo observando. Observando
comportamentos, ouvindo mais do que falando, tentando entender o que está por
trás do que é dito e, principalmente, do que não é.
Esses dias assisti a um vídeo de alguém dizendo: “o fim dos tempos está
chegando, não se distraia”. Pode soar exagerado para alguns, mas a verdade é
que a gente vive distraído o tempo todo. E acredito que esse seja justamente o
ponto.
É curioso pensar que comecei esse texto falando sobre conhecimento
e, sem perceber, já estou abrindo espaço para falar de Apocalipse. Mas talvez
uma coisa nunca tenha estado tão distante da outra… (pense nisso)
O ano de 2026 não será fácil. Diante de tudo isso, se eu puder
deixar um conselho, é simples: busque a Deus, leia, aprofunde-se, seja uma
pessoa espiritualizada.
Bom fim de semana a todos!
_Com carinho, Cinthia Leite.
_Até a próxima!


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