terça-feira, 20 de janeiro de 2026

NO SEMÁFORO - ELVIRA DRUMMOND

 



NO SEMÁFORO

Elvira Drummond



No palco improvisado e pequenino
que usurpa faixa mínima do asfalto,
estreia um molequinho tão franzino,
que, ao vê-lo, sou tomada em sobressalto…

E o brilho em seu olhar — tão cristalino —
de quem cavalga a fé e firma o salto,
maneja os malabares com tal tino,
que faz erguer seus sonhos bem mais alto…

Oh, meu menino crédulo e carente,
o sol que oferta a luz, se muito quente,
lhe queima o sonho em troca de seu pão.

Apare com cuidado os malabares,
com eles, seu destino lança aos ares,
não deixe que escorregue e vá ao chão.

 

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