NO SEMÁFORO
Elvira Drummond
No palco improvisado e pequenino
que usurpa faixa mínima do asfalto,
estreia um molequinho tão franzino,
que, ao vê-lo, sou tomada em sobressalto…
E o brilho em seu olhar — tão cristalino —
de quem cavalga a fé e firma o salto,
maneja os malabares com tal tino,
que faz erguer seus sonhos bem mais alto…
Oh, meu menino crédulo e carente,
o sol que oferta a luz, se muito quente,
lhe queima o sonho em troca de seu pão.
Apare com cuidado os malabares,
com eles, seu destino lança aos ares,
não deixe que escorregue e vá ao chão.

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