sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A LUPA - ELVIRA DRUMMOND

 




A LUPA

Elvira Drummond



Nos olhos, o poeta guarda o mar…
e enfeixa em pleno azul — cor do infinito —
o abraço da grandeza, em seu olhar
que junta o mar ao céu… matiz bendito!

Nos olhos, o poeta aprende a amar…
antídoto do caos, de todo atrito,
enxerga luz no cais, ao navegar,
e ancora as emoções, num doce rito.

Nos olhos, o poeta imprime o traço,
vibrando sempre em tom de verde-abraço;
conserta o que há de hostil, na ação mundana

(que aos olhos de um poeta, nunca engana).
E os gestos pequeninos ele agrupa,
agigantando o amor com sua lupa!






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