A LUPA
Elvira Drummond
Nos olhos, o poeta guarda o mar…
e enfeixa em pleno azul — cor do infinito —
o abraço da grandeza, em seu olhar
que junta o mar ao céu… matiz bendito!
Nos olhos, o poeta aprende a amar…
antídoto do caos, de todo atrito,
enxerga luz no cais, ao navegar,
e ancora as emoções, num doce rito.
Nos olhos, o poeta imprime o traço,
vibrando sempre em tom de verde-abraço;
conserta o que há de hostil, na ação mundana
(que aos olhos de um poeta, nunca engana).
E os gestos pequeninos ele agrupa,
agigantando o amor com sua lupa!

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