sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

TROVAS DE DÁGUIMA VERÔNICA

 



TROVAS DE DÁGUIMA VERÔNICA


Ao soltar pipa, a criança
desata as peias do sonho
e acende a luz da esperança
para um futuro risonho.

Coração duro, fechado,
prenhe de angústia e rancor,
constrói cárcere privado
com grades feitas de dor.

Coração, vê se te aquieta
não bebas desse pecado,
cuidado, que ele é poeta...
não fiques apaixonado!

Da minha terra encantada
eu guardo a estação mais bela,
o canto da passarada
e os meus sonhos de janela!


(ENCANTO DE TROVAS, JOSÉ FELDMAN)

SEM FRONTEIRAS - FILEMON MARTINS

 



SEM FRONTEIRAS 
Filemon Martins
 

Viajo com as nuvens. Sou poeta. 
Gosto de dar vazão ao pensamento. 
Sou capaz de chegar ao firmamento 
e voltar para a terra como atleta.
 

Na terra, pego a minha bicicleta, 
vou pedalando mesmo contra o vento, 
enquanto os versos nascem no acalento 
de uma paixão suave e não secreta.
 

Não há fronteiras, pois o amor é brando, 
poetas são assim, vivem sonhando 
com um mundo feliz e mais humano.
 

Não importa se a vida é muito breve, 
o amor é intenso e o fardo fica leve 
quando o perdão se torna soberano.                   

TROVAS DO FILEMON

 




TROVAS DO FILEMON


Gosto da vida pacata,
homens simples dos sertões,
pois vejo usando gravata
por aqui muitos ladrões.

Meu peito canta, sorrindo,
ao ver o clarão do dia,
enquanto a noite fugindo
deixa rastros de alegria.

Minha mãe – como eu quisera
do meu amor dar-te prova,
e o meu carinho – pudera
enviar-te numa TROVA.

Não julgue pela aparência,
não condene sem saber;
às vezes com paciência
algo bom temos de ver.

PROFISSÃO DE FÉ - CARLOS RIBEIRO ROCHA

 



PROFISSÃO DE FÉ 

Carlos Ribeiro Rocha

(Este soneto foi escrito em 1953, em Ipupiara e consta do livro HISTÓRIA DOS BATISTAS EM IPUPIARA, de Arides Leite Santos). Ipupiara, Bahia, como se sabe, é a minha terra natal.



AS MÁGOAS, AS TRISTEZAS DO PASSADO
QUERO APAGÁ-LAS TODAS NO PRESENTE
PARA VIVER, DEPOIS, MARAVILHADO
SOB A LUZ DE UM FUTURO RESPLENDENTE!

QUE O HOMEM-VELHO, MORTO – SEPULTADO,
SURJA DAS ÁGUAS – NOVO E SORRIDENTE,
E SEJA, DO SENHOR CRUCIFICADO
SERVO FIEL, AMIGO INTRANSIGENTE!

MEDITO EM SUA LEI, NOS SEUS PRECEITOS!
E BUSCO A PERFEIÇÃO NO SEU AMOR
E AS RIMAS DESTES VERSOS IMPERFEITOS!

DESEJO ENTRAR NO GOZO DOS ELEITOS,
CORRIGINDO, NO SANGUE REMIDOR,
MINHAS FALHAS, PECADOS E DEFEITOS!

DESABAFO - FILEMON MARTINS

 



DESABAFO
Filemon Martins


Não reclamo da vida turbulenta e triste
que a predestinação me faz levar, talvez,
nem quero levantar a voz ou o dedo em riste
para acusar alguém de tanta insensatez.

A consciência cruel por certo não resiste
fazer o bem, amar, viver com honradez.
É próprio do invejoso que na falta insiste
muito disfarce, engodo, mágoa e morbidez.

O calvário de Cristo nos mostrou o quanto
a Humanidade é mesmo pobre e desprezível,
a ponto de matar um verdadeiro santo...

E desde então as coisas só se complicaram,
o aumento dos Pilatos se tornou visível
e os Judas, com certeza, se multiplicaram!


(DO LIVRO "ANSEIOS DO CORAÇÃO", PÁGINA 83)

TROVAS DO FILEMON

 



TROVAS DO FILEMON


O vento sopra do mar
e entre folhas e arvoredos
parece até soluçar
murmurando seus segredos.

                    Num vaivém sibila o vento
ruge forte a tempestade,
- e o som parece um lamento
de quem chora de saudade.

Ouço o marulhar das águas
varrendo a areia da praia,
só não varre aquelas mágoas
que em meu viver fez tocaia.

Lê e escreve o tempo inteiro
algo mais edificante...
É assim CARLOS RIBEIRO
ROCHA altaneira, pensante.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

TROVAS

 




TROVAS


Despedida, a liberdade,
te esqueci, ponto final!
- Mas me mandaste a saudade
no perfume de um postal!

Ana Cristina de Souza - São Paulo/SP

Na força do pensamento...
Transforme a vida em prazer.
E até mesmo contra o vento...
Sinta o gosto de viver!

Ana Maria Guerrize Gouveia - Santos/SP

Fugindo pela janela,
o ¨don juan¨quis ¨dar no pé¨.
– Um fantasma!, - gritou ela.
E o marido: – Agora é!

Angélica Villela Santos - Guaratinguetá/SP (1935 – 2017) Taubaté/SP –

Dou-te a mão à palmatória…
Foi minha a culpa, confesso;
mas, não te darei a glória
do perdão, que não te peço!

Antonio Carlos Teixeira Pinto - Brasília/DF

VAIDADE - FLORBELA ESPANCA

 



VAIDADE

Florbela Espanca
Vila Viçosa/Portugal (1894 - 1930) Matosinhos/Portugal


Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...E não sou nada!...



(EXTRAÍDO DO FOLHETIM LITERÁRIO, ORG. DE JOSÉ FELDMAN)

TROVAS DE JESSÉ NASCIMENTO

 



TROVAS DE JESSÉ NASCIMENTO


Perdida a oportunidade,

outras, talvez, tenhas mais;

mas o tempo, na verdade,

este não volta, jamais.


Curvar-me à vicissitude?

Jamais, com muita ousadia,

enfrento com atitude,

não fujo ao que desafia.


Sou poeta, trovador,

sensível por natureza,

canto a vida, canto o amor,

canto a saudade e a tristeza.


De louco e irrealista

me chamam com ironia,

só porque sou um artista

que vive a fazer poesia!


(DA UBT - ANGRA DOS REIS - RJ)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

DOIS TROVADORES QUE NOS DEIXARAM

 



DOIS GRANDES TROVADORES QUE JÁ NOS DEIXARAM:


Vejo a vovó abraçada
ao neto de poucos meses...
Isto é ternura dobrada,
pois ela é mãe duas vezes!

CARLOS RIBEIRO ROCHA

Se a mocidade se afasta,
não julgue a vida tristonha.
- A ação do tempo não gasta
o coração de quem sonha!

APARÍCIO FERNANDES

TROVAS DE GRANDES POETAS

 


                                    (FOTO DE SANDRO,CARRANCA, BAHIA)


TROVAS DE GRANDES POETAS
  

Fui menino, moço, e, agora 
por que mudei tanto assim? 
Lembrando os tempos de outrora, 
tenho saudades de mim... 
(Mário Barreto França) 

“Matar saudades”, querida, 
é uma expressão simplesmente, 
pois, em verdade, na vida, 
saudade é que mata a gente... 
(J.G. de Araújo Jorge) 

Na carta, ao dizer-te quanto 
a saudade me consome, 
as reticências do pranto 
quase apagaram meu nome. 
(Carlos Guimarães) 

No meu livro da Lembrança, 
ainda sem conclusão, 
saudade é aquela esperança 
que compôs a introdução... 
(Vanda F. Queiroz)











SONETO DE CARLOS RIBEIRO ROCHA

 



SONETO DE CARLOS RIBEIRO ROCHA
(Transcrevi de memória, constava do livro HARPA SERTANEJA, inédito)

Já não lamento os sonhos destruídos,
- relembrar não desejo as ilusões
e a ventura fugaz dos tempos idos,
- folhas secas tombando aos turbilhões!

Chorar não devo! Os galhos ressequidos
sem flores, sem orvalho, sem canções,
tornam-se, às vezes, belos e floridos
ornando as serras, várzeas e grotões.

Surgem nos ramos novas esperanças
e a relva verdejante vai ficando
de áureas flores, corimbos, verdes franças...

Se as nossas ilusões vão sucumbindo,
em nossas almas nasce, vai surgindo
das novas ilusões o álacre bando!













SONETO MONTANHÊS - CARLOS RIBEIRO ROCHA

 




SONETO MONTANHÊS
Carlos Ribeiro Rocha


Neste soneto montanhês que faço
quero lembrar queridos companheiros
caminhos sinuosos onde passo
ouvindo o linguajar dos garimpeiros.

Falam eles das glórias, dos fracassos
dos seus momentos mais alvissareiros,
das ¨corredeiras¨ feitas por seus braços,
para ali batear meses inteiros...

Mas, uma cena me ficou na mente
que considero a foto permanente
da vida campesina do Sertão:

Enquanto a fonte chora na vertente,
um sabiá gorjeia bem contente
sobre o velho ingazeiro do grotão.