segunda-feira, 8 de junho de 2026

O ENGENHO DE MADEIRA - ANTÔNIO DA COSTA E SILVA

 


(NA FOTO, MEU AMIGO DUÃO, DE SAUDOSA MEMÓRIA, COMPANHEIRO DE VIAGENS, DE IPUPIARA A SÃO PAULO E VICE-VERSA)



O ENGENHO DE MADEIRA

Antônio da Costa e Silva


Na remansosa paz da rústica fazenda,

a luz quente do sol e à fria luz do luar,

vive, como a expiar uma culpa tremenda,

o engenho de madeira a gemer e a chorar.


Ringe e range, rouquenha a rígida moenda,

e ringindo e rangendo, a cana a triturar,

parece que tem alma, adivinha e desvenda

a ruína, a dor, o mal que vai, talvez, causar.


Movida pelos bois tardos e sonolentos,

geme, como a exprimir, em doloridos lamentos,

que as desgraças por vir sabe todas de cor.


Ai! dos teus tristes ais! moenda arrependida!

- Álcool! para esquecer os tormentos da vida

e causar, sabe Deus! um tormento maior!



(LIVRO " COMPOSIÇÕES ESCOLARES", PÁGINA 18)  

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